Interestelar (2014)
Filme · 2014 · 2h49 · Título original: Interstellar
Um piloto deixa a filha para trás numa missão que pode salvar a humanidade.
Filme · 2014 · 2h49 · Título original: Interstellar
Um piloto deixa a filha para trás numa missão que pode salvar a humanidade.
Num futuro em que a Terra não consegue mais alimentar a população, o ex-piloto Cooper é recrutado para uma missão secreta: atravessar um buraco de minhoca perto de Saturno e encontrar um novo planeta habitável. Cada hora em certos mundos custa anos em casa, onde a filha Murph cresce sem ele.
Interestelar é ficção científica grande no sentido mais literal: buracos negros, dilatação do tempo e paisagens alienígenas filmadas com escala de IMAX. Mas o que segura as quase três horas é o laço entre pai e filha, e a cena das mensagens acumuladas é uma das mais tristes do cinema recente. Nolan às vezes explica demais a física, e o terceiro ato pede um salto de fé que nem todos vão dar. Ainda assim, a trilha de Hans Zimmer, com o órgão de igreja dominando o som, transforma a viagem numa experiência quase física. Vale ver na maior tela e no melhor som que você tiver.
O projeto nasceu longe de Christopher Nolan. O roteiro começou a ser escrito por Jonathan Nolan, irmão do diretor, para um longa que Steven Spielberg chegou a desenvolver a partir das ideias do físico Kip Thorne sobre buracos de minhoca e viagens interestelares. Quando Spielberg deixou a produção, Christopher assumiu a direção, reescreveu o texto ao lado do irmão e somou ao drama familiar a obsessão que atravessa toda a sua filmografia: o tempo como matéria-prima da narrativa.
Nolan quis o mínimo possível de tela verde. Um milharal de verdade foi plantado no Canadá para as cenas da fazenda, as paisagens geladas foram rodadas em geleiras da Islândia e as naves ganharam cenários construídos em escala, com imagens do espaço projetadas do lado de fora das janelas para que o elenco reagisse ao que realmente via. A fotografia de Hoyte van Hoytema alterna película 35 mm e câmeras IMAX, o que explica a sensação de vastidão nas sequências espaciais.
Não existe uma história real por trás da trama, mas a ciência foi tratada com rigor incomum para uma superprodução. Kip Thorne, que depois dividiria o Nobel de Física de 2017 pela detecção de ondas gravitacionais, atuou como consultor e produtor executivo. As equações dele alimentaram a equipe de efeitos visuais na criação de Gargântua, o buraco negro do filme, e a simulação acabou rendendo artigos científicos. Já a Terra em colapso agrícola tem raiz histórica: o Dust Bowl, as tempestades de poeira que arrasaram as planícies americanas nos anos 1930.
O filme estreou meses depois de McConaughey vencer o Oscar de Melhor Ator por Clube de Compras Dallas, e ele compõe aqui um homem prático, pouco dado a discursos. O contraponto é Jessica Chastain, que transforma a espera de Murph em ressentimento, inteligência e teimosia, dando ao longa-metragem sua estrutura emocional.
A grande sacada do roteiro é transformar a relatividade de Einstein em drama doméstico. No planeta coberto de água visitado pela tripulação, cada hora corresponde a cerca de sete anos na Terra, e essa conta simples vira tragédia: atrasos de minutos custam aniversários, formaturas e casamentos que Cooper nunca vai ver. Poucas obras de ficção científica conseguiram fazer o espectador sentir a física no estômago, em vez de apenas entendê-la.
O filme também discute o que significa salvar a espécie quando isso exige abandonar os indivíduos que amamos. O dilema aparece no conflito entre o dever da missão e o desejo de voltar para casa, e ganha uma camada mais polêmica no monólogo em que Brand defende o amor como algo capaz de atravessar dimensões. Há quem ache a ideia piegas; há quem a considere o centro da obra. Em todo caso, o poema de Dylan Thomas sobre não aceitar a noite em silêncio, recitado ao longo do filme, resume o espírito de resistência da história.
A trilha sonora de Hans Zimmer começou de um jeito curioso: Nolan entregou ao compositor apenas uma página de texto sobre a relação entre pai e filho, sem revelar do que tratava o projeto. O resultado foi gravado com o órgão da Temple Church, em Londres, e alterna silêncio absoluto no vácuo com crescendos que fazem a poltrona vibrar. É uma das partituras mais reconhecíveis do século e parte essencial da experiência.
Na montagem, Lee Smith cruza com frequência a Terra e o espaço, criando paralelos entre o que acontece com Murph e com Cooper. A herança de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, é assumida em planos de naves silenciosas e no fascínio pelo desconhecido.
Lançado em 2014, Interestelar dividiu parte da crítica, que elogiou a ambição e questionou o excesso de explicações, mas conquistou o público de forma duradoura. No Oscar de 2015, levou o prêmio de Efeitos Visuais e recebeu indicações por trilha sonora, edição de som, mixagem de som e design de produção. Com os anos, cresceu como filme de culto e ganhou novas exibições em IMAX, sinal de que muita gente prefere revê-lo na tela grande.
Vale, sobretudo para quem gosta de ficção científica com peso emocional e não se incomoda com quase três horas de duração. É sessão para luz apagada e volume alto. Quem prefere tramas cientificamente literais pode estranhar o terceiro ato, mas costuma sair impressionado com a escala do espetáculo. Para quem assiste por IPTV, vale conferir antes as dicas do guia como instalar IPTV na sua TV, já que a imagem escura do espaço sofre com sinal instável.
Quem saiu da sessão querendo mais Nolan deve seguir para Oppenheimer, a cinebiografia do pai da bomba atômica, que troca o espaço sideral pelo laboratório de Los Alamos sem perder a tensão. Para outra viagem de escala monumental, Duna: Parte Dois oferece desertos alienígenas e uma trilha também assinada por Hans Zimmer. Já Matrix e sua realidade simulada agrada a quem gosta de ficção científica que provoca perguntas filosóficas.
Se o fascínio for pelo tempo que não corre em linha reta, a série alemã Dark é parada obrigatória, com paradoxos tão bem amarrados quanto os de Nolan. Outras recomendações estão reunidas na seleção de filmes de ficção científica do guia, com notas e críticas da redação.
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Não. Interestelar não tem cenas extras durante ou depois dos créditos finais, então não é preciso esperar a lista de nomes terminar. A história se encerra completamente antes dos créditos, que rolam acompanhados da trilha de Hans Zimmer. Quem quiser aproveitar a música até o fim pode ficar, mas não há nenhuma surpresa escondida.
Não. O roteiro explica os conceitos essenciais, como buraco de minhoca e dilatação do tempo, dentro dos próprios diálogos, às vezes até com desenhos feitos pelos personagens. Saber que o tempo passa mais devagar perto de um buraco negro já basta para acompanhar a trama. Quem quiser se aprofundar pode buscar o livro de Kip Thorne sobre a ciência do filme.
As cenas da fazenda foram rodadas no Canadá, em um milharal plantado especialmente para a produção. Os planetas gelados e áridos visitados pela tripulação foram filmados na Islândia, aproveitando geleiras e paisagens vulcânicas. As sequências dentro das naves usaram cenários construídos em estúdio, com projeções do espaço do lado de fora das janelas, em vez de tela verde.
Sim. O filme venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2015, muito pela representação do buraco negro Gargântua, criada a partir de equações do físico Kip Thorne. Também foi indicado nas categorias de trilha sonora original, edição de som, mixagem de som e design de produção, mas não levou essas estatuetas.