Parasita (2019)
Filme · 2019 · 2h12 · Título original: Gisaengchung (Parasite)
Uma família pobre se infiltra, um a um, na casa de uma família rica.
Filme · 2019 · 2h12 · Título original: Gisaengchung (Parasite)
Uma família pobre se infiltra, um a um, na casa de uma família rica.
Os Kim vivem num semiporão apertado e fazem bicos para sobreviver. Quando o filho consegue um emprego como professor particular na casa dos ricos Park, a família inteira enxerga uma oportunidade. O plano funciona bem até a casa revelar que guarda segredos que ninguém estava procurando.
Bong Joon-ho faz um filme que muda de gênero sem pedir licença: começa como comédia de golpe, vira suspense e termina como tragédia social, e cada virada parece inevitável quando chega. A casa dos Park é praticamente uma personagem, com escadas que sobem e descem como a própria escala social do filme. O roteiro é cheio de detalhes que só fazem sentido numa segunda sessão, e o elenco segura tanto o humor quanto o desespero. Parasita é desses raros filmes que funcionam como entretenimento puro e, ao mesmo tempo, deixam uma pergunta incômoda para depois dos créditos. Primeiro filme em língua não inglesa a levar o Oscar principal.
Quando lançou Parasita, em 2019, Bong Joon-ho já era um dos nomes mais respeitados do cinema sul-coreano. Ele vinha de títulos como Memórias de um Assassino, O Hospedeiro e Mother, além de duas produções internacionais, Expresso do Amanhã e Okja. Parasita marca a volta do diretor a uma produção inteiramente coreana, falada em coreano e com elenco local, e reúne as obsessões que atravessam a carreira dele: desigualdade social, famílias em crise e a mistura de gêneros dentro de um mesmo filme.
O roteiro foi escrito por Bong em parceria com Han Jin-won. A ideia nasceu de uma peça de teatro que o diretor imaginava, o que ajuda a explicar a concentração da história em poucos espaços. A casa dos Park não existe: foi construída como cenário, desenhada de acordo com as necessidades de cada plano, e a rua dos Kim também ganhou cenários feitos sob medida.
O tema central é a desigualdade, mas Bong evita o discurso fácil. Os Park não são vilões caricatos, e os Kim não são vítimas inocentes. Todos agem dentro das regras de um sistema que separa as pessoas por camadas, e o filme mostra como essa separação aparece em detalhes do cotidiano: o tipo de casa, o transporte que cada um usa, o jeito de falar e, de forma marcante, o cheiro. É um elemento sensorial que o roteiro usa para lembrar que algumas fronteiras sociais não se apagam com roupa nova.
A arquitetura traduz essa ideia. O semiporão dos Kim fica abaixo do nível da rua, com uma janela por onde se vê o mundo passar; a mansão dos Park está no alto de uma ladeira, cercada de vidro e jardim. Subir e descer escadas é, no filme, a forma mais direta de representar a posição de cada personagem. Quem viu Expresso do Amanhã reconhece a lógica: lá a hierarquia era horizontal, vagão a vagão; aqui ela é vertical.
Parasita circula entre o humor de golpe, o thriller doméstico e o drama social sem perder o tom. Essa mistura, comum no cinema coreano contemporâneo, explica por que o filme aparece ao mesmo tempo nas nossas seleções de suspense e de comédia.
A fotografia de Hong Kyung-pyo trabalha com contrastes de luz que separam os dois mundos: tons esverdeados e pouca luz natural no semiporão, amplas janelas e claridade na casa dos Park. Bong planeja cada enquadramento com antecedência em storyboards detalhados, e isso se percebe na precisão com que a câmera revela informações aos poucos, guardando surpresas no fundo do quadro.
A trilha de Jung Jae-il usa cordas e piano com toques barrocos, que dão às cenas de golpe uma elegância quase cômica. A montagem tem ritmo de relógio, especialmente em uma sequência célebre de manipulação, embalada por música clássica, em que a família coloca o plano em prática. Bong também lançou uma versão em preto e branco do filme, exibida em festivais e em sessões especiais.
Parasita venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2019, por decisão unânime do júri, a primeira para um filme sul-coreano. Meses depois, levou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira. No Oscar de 2020, ganhou quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. Foi a primeira vez que uma produção falada em outra língua que não o inglês venceu a categoria principal da Academia.
O impacto ultrapassou a temporada de prêmios. O sucesso ampliou o interesse do público ocidental por produções coreanas, abrindo espaço para filmes e séries do país nas plataformas de streaming, e reforçou a ideia de que legendas não são barreira para um grande lançamento. Como Cidade de Deus fez com o Brasil, Parasita virou porta de entrada para toda uma cinematografia.
Vale para praticamente qualquer perfil de espectador. É acessível como entretenimento, tem humor e ritmo, e recompensa quem gosta de analisar símbolos e detalhes. O ideal é ver sem ler resumos, porque o prazer do roteiro está nas viradas. A segunda metade tem violência, e por isso a classificação não é livre. Funciona em sessão a dois ou com amigos, e é dos raros filmes que pedem uma segunda sessão logo depois. Prefira a versão legendada: as nuances de tom entre as famílias se perdem na dublagem.
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Parasita ganhou quatro Oscars na cerimônia de 2020: Melhor Filme, Melhor Direção para Bong Joon-ho, Melhor Roteiro Original para Bong Joon-ho e Han Jin-won e Melhor Filme Internacional. Foi o primeiro longa em língua não inglesa a vencer a categoria principal da Academia, um marco na história da premiação.
Não. A história é original, criada por Bong Joon-ho e Han Jin-won. O diretor já contou que se inspirou em experiências pessoais da juventude, quando deu aulas particulares para uma família rica, e na realidade dos semiporões de Seul, moradias comuns entre famílias de baixa renda. Os personagens e os acontecimentos, porém, são ficção.
Nenhum dos dois em estado puro. O filme começa como comédia de golpe, com humor afiado, e vai se transformando em suspense e drama social. Há cenas de tensão e de violência, mas não é um filme de terror no sentido tradicional. A mistura de gêneros é marca registrada de Bong Joon-ho e do cinema sul-coreano recente.
Não. O filme termina antes dos créditos, e não há cena extra depois deles. Os créditos finais são acompanhados por uma canção composta para o filme, cantada pelo ator Choi Woo-shik, que interpreta o filho da família Kim. Vale ouvir com calma, porque ajuda a digerir o desfecho.
A presença do filme nas plataformas de streaming varia conforme os contratos de licenciamento. No Hostel TV, a melhor forma de saber se Parasita está disponível é fazer o teste de IPTV e conferir o catálogo diretamente no seu aparelho. O pedido de teste é feito pelo WhatsApp, e a equipe indica o aplicativo adequado para a sua tela.