Chernobyl (2019)
Série · 2019 · 1 temporada
O acidente nuclear de 1986 e as mentiras que tentaram escondê-lo.
Série · 2019 · 1 temporada
O acidente nuclear de 1986 e as mentiras que tentaram escondê-lo.
Na madrugada de 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina de Chernobyl, na então União Soviética, explode. O cientista Valery Legasov e o político Boris Shcherbina são enviados para conter o desastre, enquanto bombeiros, mineiros e moradores pagam o preço de decisões tomadas para proteger a imagem do Estado.
Em cinco episódios, Chernobyl faz o que muitas séries não conseguem em cinco temporadas. A tensão vem menos da radiação e mais da burocracia: a recusa em admitir o erro é o verdadeiro vilão. A reconstituição é minuciosa, dos uniformes aos prédios, e o som ambiente, com estalos e zumbidos constantes, deixa o espectador desconfortável o tempo todo. Jared Harris faz de Legasov um homem esmagado pela própria consciência, e o episódio final, que explica o acidente como uma aula num tribunal, é televisão no auge. Pesado, mas essencial.
Vale, desde que você saiba o que vai encontrar. Chernobyl é uma minissérie de cinco episódios, produzida para a TV paga americana em coprodução com o Reino Unido e lançada em 2019. Não há vilões caricatos nem heróis de ação: o drama histórico acompanha cientistas, funcionários do Partido e trabalhadores comuns diante de um desastre que o sistema se recusava a admitir. O tom é sombrio do primeiro ao último minuto, e algumas cenas sobre os efeitos da radiação são difíceis de ver.
Em troca, a obra oferece uma aula de construção de suspense em que todo mundo já conhece o desfecho histórico. A pergunta não é se o reator explodiu, mas quanto custou cada mentira contada depois. É uma das raras produções de TV que deixam o espectador com vontade de pesquisar sobre o tema assim que os créditos sobem.
Sim. A minissérie dramatiza o acidente nuclear de 26 de abril de 1986 no reator 4 da usina Vladimir Lenin, perto da cidade de Pripyat, na então Ucrânia soviética, e a operação de contenção que mobilizou centenas de milhares de pessoas. Valery Legasov, Boris Shcherbina e o engenheiro-chefe adjunto Anatoly Dyatlov são figuras históricas, assim como os bombeiros enviados ao telhado da usina na primeira madrugada.
O roteirista Craig Mazin usou como uma das bases o livro Vozes de Tchernóbil, da escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel de Literatura, de onde vêm vários relatos de moradores e familiares. Houve também liberdades dramáticas. A mais conhecida é a física Ulana Khomyuk, personagem fictícia criada para representar os muitos cientistas que ajudaram a investigar o acidente. Alguns diálogos, prazos e encontros foram condensados para caber em cinco horas de narrativa.
Uma escolha chamou atenção: o elenco fala inglês com sotaques britânicos, sem imitar o russo. A decisão de Mazin evita a caricatura e deixa o foco nas atuações. A dupla Harris e Skarsgård sustenta o eixo dramático, com uma relação que começa na desconfiança e se transforma em respeito mútuo.
Por ser uma minissérie fechada, Chernobyl tem uma estrutura muito clara. Cada episódio cobre uma fase diferente da tragédia e muda o ponto de vista dominante.
Todos os episódios foram dirigidos pelo sueco Johan Renck, o que dá unidade visual rara à minissérie. A ordem é rigorosamente cronológica no conjunto, então não há dúvida sobre como assistir.
Renck filma a União Soviética dos anos 1980 em tons de cinza, verde-oliva e concreto. A reconstituição foi rodada em grande parte na Lituânia, aproveitando conjuntos habitacionais e uma usina nuclear desativada com arquitetura semelhante à de Chernobyl. Corredores, salas de controle, uniformes e até os formulários de escritório reforçam a sensação de estar dentro de um aparelho estatal pesado e lento.
A trilha sonora da islandesa Hildur Guðnadóttir quase não tem melodia. Ela gravou sons dentro dessa usina desativada e os transformou em zumbidos, pulsos e ruídos graves que se misturam ao som ambiente. O resultado é uma música que parece radiação: invisível e presente em toda parte. O trabalho rendeu um Emmy à compositora, que meses depois ganharia o Oscar de trilha sonora por Coringa.
O verdadeiro conflito de Chernobyl é entre o fato científico e a versão oficial. A minissérie mostra como a cultura do segredo, o medo de punição e a lealdade ao Partido atrasaram decisões urgentes. Legasov representa a consciência que hesita, mas não consegue se calar. É um tema que ultrapassa a Guerra Fria e conversa com qualquer época em que informação vira questão política.
Há também uma homenagem aos anônimos: bombeiros, mineiros, motoristas e soldados que trabalharam sob risco extremo. Para quem se interessa por histórias sobre ciência nuclear e responsabilidade moral, o drama de Oppenheimer faz um par natural. E quem foi tocado pela forma como um regime tenta apagar a verdade vai encontrar ecos em Ainda Estou Aqui, sobre a ditadura brasileira.
A minissérie foi recebida como um dos grandes acontecimentos da TV em 2019. No Emmy, venceu como Melhor Minissérie, além de levar os prêmios de direção para Johan Renck e de roteiro para Craig Mazin. No Globo de Ouro, foi escolhida a Melhor Minissérie ou Filme para TV. Na época, o sucesso também provocou um aumento na procura por visitas guiadas à zona de exclusão de Chernobyl.
São cerca de cinco horas no total, o que permite ver tudo em um fim de semana. A sugestão é não emendar os cinco episódios de uma vez: o peso emocional se acumula, e uma pausa depois do terceiro ajuda a absorver a história. Prefira assistir com som de qualidade, porque o desenho sonoro é metade da experiência.
Depois, explore mais dramas no guia ou outras produções de suspense. Uma curiosidade de programação: a série alemã Dark também gira em torno de uma usina nuclear, mas pela ficção científica. Para conferir o que está disponível, faça o teste IPTV e explore o catálogo.
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Chernobyl tem cinco episódios, com cerca de uma hora cada, todos lançados em 2019. É uma minissérie fechada, de temporada única, sem continuação prevista. Todos os capítulos foram dirigidos por Johan Renck e escritos por Craig Mazin, o que garante unidade de tom e ritmo do início ao fim.
Não. Ulana Khomyuk, interpretada por Emily Watson, é uma personagem fictícia. Ela foi criada pelos roteiristas para representar, numa só pessoa, os vários cientistas que investigaram o acidente e pressionaram as autoridades. Os créditos finais da própria minissérie explicam essa escolha ao espectador.
Em linhas gerais, sim. A sequência dos eventos, os principais personagens históricos e as consequências do acidente seguem os registros conhecidos. Mas há liberdades: personagens compostos, diálogos inventados e encontros condensados no tempo. O ideal é ver a minissérie como dramatização bem documentada, não como documentário.
A maior parte das filmagens aconteceu na Lituânia, que preserva conjuntos habitacionais da era soviética e uma usina nuclear desativada de projeto parecido com o de Chernobyl. Essa escolha de locações explica boa parte do realismo da reconstituição de época, dos prédios aos interiores da usina.
É uma minissérie intensa. Há cenas que mostram os efeitos da radiação no corpo humano, sacrifício de animais na zona de exclusão e muita angústia psicológica. Não é violência gratuita, mas pode incomodar espectadores sensíveis. Assistir em sessões espaçadas costuma tornar a experiência mais tranquila.