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Pôster ilustrativo de Ainda Estou Aqui

Ainda Estou Aqui (2024)

Filme · 2024 · 2h17

Eunice Paiva reconstrói a família depois do desaparecimento do marido na ditadura.

Nota da redação9,2/10
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Sinopse de Ainda Estou Aqui

Rio de Janeiro, 1971. A casa dos Paiva vive cheia de amigos, música e crianças até o dia em que o ex-deputado Rubens Paiva é levado por agentes do regime militar e não volta. Eunice precisa proteger os cinco filhos e, ao mesmo tempo, descobrir o que aconteceu. Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva.

Crítica da redação: nota 9,2/10

Walter Salles escolhe o caminho mais difícil e acerta: em vez de mostrar a violência da ditadura de frente, ele mostra o vazio que ela deixa numa casa feliz. A primeira metade é luminosa, quase um álbum de família, o que torna a segunda ainda mais pesada. Fernanda Torres sustenta o filme com uma atuação contida, de quem não pode desabar na frente dos filhos, e é justamente nesse controle que está a força da personagem. A breve participação de Fernanda Montenegro fecha a história de um jeito comovente. Um filme sobre memória que conversa com qualquer espectador, conheça ou não a história real.

Por que vale a pena assistir

  • Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, o primeiro do Brasil
  • Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama para Fernanda Torres
  • Reconstituição de época cuidadosa do Rio dos anos 1970

Contexto e produção: Walter Salles volta ao Brasil

Ainda Estou Aqui marca o retorno de Walter Salles a um longa-metragem de ficção rodado no Brasil depois de muitos anos dedicados a projetos internacionais. O diretor de Central do Brasil, Abril Despedaçado e Diários de Motocicleta tinha uma ligação pessoal com a história: frequentou a casa da família Paiva na juventude, no Rio de Janeiro, e guardava lembranças do ambiente que o filme reconstitui.

O roteiro, assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega, adapta o livro de memórias de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015. A obra parte do momento em que a mãe do escritor, Eunice, começa a perder a memória por causa do Alzheimer, e volta no tempo para contar como ela enfrentou o desaparecimento do marido. O filme concentra a narrativa nos anos 1970 e no ponto de vista de Eunice, deixando o narrador do livro em segundo plano.

Ainda Estou Aqui é baseado em fatos reais?

Sim. Rubens Paiva foi deputado federal, teve o mandato cassado após o golpe de 1964 e, em janeiro de 1971, foi levado de casa por agentes da repressão no Rio de Janeiro. Ele nunca mais voltou. Durante décadas, o Estado negou a responsabilidade pelo caso, e a família viveu sem informações oficiais sobre o paradeiro dele. O filme acompanha esse período sob a perspectiva da esposa, que também foi detida e interrogada.

Eunice Paiva transformou a perda em militância. Formou-se em Direito já adulta, atuou na luta pelo reconhecimento dos desaparecidos políticos e se tornou uma referência na defesa dos direitos dos povos indígenas. A certidão de óbito de Rubens Paiva só foi emitida em 1996, a partir da lei que reconheceu como mortos os desaparecidos políticos do regime.

Quem é quem no elenco de Ainda Estou Aqui

  • Eunice Paiva (Fernanda Torres): mãe de cinco filhos que precisa manter a casa de pé enquanto busca respostas.
  • Rubens Paiva (Selton Mello): engenheiro e ex-deputado, pai afetuoso e anfitrião de uma casa sempre cheia.
  • Eunice Paiva na velhice (Fernanda Montenegro): participação breve, já na parte final da história.
  • Os filhos Vera, Eliana, Nalu, Marcelo e Babiu: interpretados por atores diferentes em fases distintas da vida.

O detalhe que mais emociona fora da tela é a escalação de mãe e filha para o mesmo papel. Fernanda Montenegro, que foi indicada ao Oscar por Central do Brasil, e Fernanda Torres dividem a personagem em idades diferentes, o que dá ao filme uma camada a mais de memória e continuidade. Selton Mello, em registro bem diferente do Chicó de O Auto da Compadecida, tem presença calorosa que faz falta assim que sai de cena.

Temas e leitura da obra: memória, ausência e resistência

O filme fala da ditadura militar sem transformá-la em espetáculo. Não há cenas de tortura explícita nem discursos políticos longos. O terror está no que não se diz: o carro que para na porta, o telefone que toca, a cadeira vazia na mesa. Salles mostra a violência do Estado como uma força que invade a intimidade de uma família comum de classe média e a obriga a reorganizar tudo, das finanças às conversas com as crianças.

A resistência de Eunice é silenciosa. Ela sorri para as fotos, mantém a rotina e escolhe não demonstrar fragilidade em público, mesmo quando todos esperam que o faça. O título vem justamente dessa insistência em permanecer. É também um filme sobre memória coletiva: a forma como um país lembra, ou prefere esquecer, os próprios crimes.

Direção, fotografia, trilha e montagem

A fotografia de Adrian Teijido usa película e luz natural para recriar o Rio de 1970 com textura de lembrança. A primeira parte é solar, com praia, janelas abertas e muita gente circulando pela casa. Quando a ausência se instala, os ambientes escurecem e as cortinas se fecham. Imagens em Super 8, feitas pelos próprios personagens, funcionam como álbum de família e reforçam o tema da memória.

A trilha mistura composição original com canções da MPB e do rock brasileiro da época, ouvidas no toca-discos da sala. A montagem é paciente, sem pressa de chegar aos momentos dramáticos, e confia no rosto de Fernanda Torres para conduzir a narrativa nas cenas mais longas.

Recepção, prêmios e legado

A estreia mundial aconteceu no Festival de Veneza de 2024, onde o filme recebeu o prêmio de Melhor Roteiro. Em janeiro de 2025, Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama. No Oscar de 2025, a produção concorreu em três categorias, Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Filme Internacional, e venceu nesta última, a primeira estatueta do Brasil na categoria.

No país, o longa virou fenômeno de público e reacendeu o debate sobre a memória da ditadura. Ao lado de Cidade de Deus, hoje ocupa lugar central em qualquer lista de grandes filmes nacionais deste século, e levou ao cinema uma geração que conhecia pouco a história de Rubens e Eunice Paiva.

Vale a pena assistir Ainda Estou Aqui? Para quem é recomendado

Vale, inclusive para quem não costuma ver filmes históricos. A narrativa é acessível e não exige conhecimento prévio sobre a ditadura. É uma sessão emocionalmente intensa, mais indicada para uma noite tranquila do que para uma reunião animada, e funciona muito bem para assistir com pais ou avós que viveram aquele período. Adolescentes mais velhos também podem acompanhar, já que a violência fica fora de quadro.

Filmes e séries parecidos com Ainda Estou Aqui

  • Oppenheimer: outra cinebiografia sobre o peso do Estado na vida de uma pessoa.
  • Chernobyl: um regime autoritário tentando apagar a verdade.
  • O Auto da Compadecida: Selton Mello e Fernanda Montenegro em clima oposto, de comédia.
  • Outros títulos na seleção de dramas.

Onde assistir Ainda Estou Aqui

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Perguntas frequentes sobre Ainda Estou Aqui

Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar?

Sim. O filme venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional na cerimônia de 2025, a primeira vitória do Brasil nessa categoria. A produção também concorreu a Melhor Filme e a Melhor Atriz, com Fernanda Torres, que meses antes havia ganhado o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama.

Quem foi Rubens Paiva?

Rubens Paiva foi engenheiro e deputado federal, com mandato cassado após o golpe militar de 1964. Em janeiro de 1971, foi levado de casa, no Rio de Janeiro, por agentes do regime e nunca mais foi visto. O Estado brasileiro negou por décadas sua responsabilidade pelo caso, e a certidão de óbito só foi emitida em 1996.

O filme é baseado em qual livro?

Ainda Estou Aqui adapta o livro de memórias homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens e Eunice, publicado em 2015. O autor também escreveu Feliz Ano Velho, outro best-seller autobiográfico. O livro é narrado por ele, enquanto o filme desloca o foco para a mãe e para os anos 1970, quando a família enfrentou o desaparecimento.

Fernanda Torres e Fernanda Montenegro fazem a mesma personagem?

Sim. Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva durante a maior parte do filme, e Fernanda Montenegro, sua mãe na vida real, vive a personagem na velhice em uma participação curta. A escolha cria uma ponte entre duas gerações de atrizes e reforça o tema da memória que atravessa toda a história.

Onde assistir Ainda Estou Aqui?

A disponibilidade do filme muda conforme os contratos das plataformas de streaming. No Hostel TV, o caminho mais seguro para saber se o título está no ar é fazer o teste de IPTV e conferir o catálogo no seu aparelho. O pedido de teste é feito pelo WhatsApp, e a equipe orienta sobre o aplicativo indicado para Smart TV, TV Box ou celular.

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