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Pôster ilustrativo de O Auto da Compadecida

O Auto da Compadecida (2000)

Filme · 2000 · 1h44

João Grilo e Chicó aprontam no sertão até chegarem ao julgamento final.

Nota da redação9,1/10
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Sinopse de O Auto da Compadecida

No sertão da Paraíba, os amigos João Grilo, esperto e sem um tostão, e Chicó, contador de histórias impossíveis, vivem de pequenos golpes. Uma sequência de trapaças envolvendo o padeiro, a mulher dele, o padre e um cangaceiro leva todos a um julgamento celestial muito particular. Baseado na peça de Ariano Suassuna.

Crítica da redação: nota 9,1/10

Poucas comédias brasileiras envelheceram tão bem. O Auto da Compadecida funciona porque leva a sério a tradição popular que adapta: o cordel, o circo e o teatro de rua estão em cada enquadramento. Matheus Nachtergaele e Selton Mello formam uma dupla perfeita, e o "não sei, só sei que foi assim" de Chicó entrou para o vocabulário do país. O julgamento final, com Fernanda Montenegro como a Compadecida, mistura humor e fé com uma leveza rara. É filme para rever em família, daqueles que todo mundo sabe as falas e ri do mesmo jeito.

Por que vale a pena assistir

  • Dupla Matheus Nachtergaele e Selton Mello em estado de graça
  • Adaptação fiel ao espírito de Ariano Suassuna
  • Ganhou continuação em 2024

Da peça de Ariano Suassuna para o cinema

O Auto da Compadecida nasceu no teatro. Ariano Suassuna escreveu a peça em 1955, e o texto rapidamente se tornou um dos mais encenados da dramaturgia brasileira. O próprio título revela a filiação: o auto é um gênero teatral de origem medieval, de fundo religioso e moralizante, que chegou ao Brasil pela tradição ibérica e encontrou no Nordeste um terreno fértil para se misturar com a cultura popular.

Suassuna construiu a história a partir de narrativas que circulavam em folhetos de cordel e na tradição oral sertaneja, como o enterro de um animal com cerimônia de gente e o bicho que supostamente produz dinheiro. Anos depois, ele lideraria o Movimento Armorial, que buscava uma arte erudita brasileira enraizada nessas mesmas fontes populares. O filme carrega essa herança em cada detalhe, das xilogravuras de cordel à música de rabeca e pífano.

Primeiro como minissérie, depois como longa-metragem

A versão de Guel Arraes estreou em 1999 como minissérie na TV aberta e, no ano seguinte, foi remontada em formato de longa-metragem para as salas de cinema. A operação foi um sucesso: o filme lotou cinemas pelo país e ajudou a consolidar a chamada retomada do cinema brasileiro. Por ter nascido de um material mais longo, a montagem final tem ritmo acelerado, com episódios encadeados como esquetes que desembocam no julgamento.

Onde se passa O Auto da Compadecida

A trama acontece em Taperoá, pequena cidade do sertão paraibano onde Suassuna passou parte da infância. A cidade funciona como um microcosmo do Nordeste rural: há o padre, o bispo, o coronel, o padeiro, o cangaceiro e os pobres que sobrevivem de esperteza. A seca, a fome e a desigualdade aparecem como pano de fundo, tratadas com humor. Esse retrato que dá identidade ao filme e o coloca entre os grandes filmes nacionais do guia.

Quem é quem no elenco

  • Matheus Nachtergaele é João Grilo, o pobre astuto que vive de trapaças e nunca perde a fala.
  • Selton Mello interpreta Chicó, o amigo medroso e contador de causos que ninguém consegue provar.
  • Fernanda Montenegro é a Compadecida, Nossa Senhora, que intercede pelos pecadores no julgamento.
  • Marco Nanini vive Severino de Aracaju, o cangaceiro temido que invade a cidade.
  • Denise Fraga é Dora, a mulher do padeiro, e Diogo Vilela interpreta o padeiro Eurico.
  • Rogério Cardoso faz o padre João, e Lima Duarte, o bispo.
  • Virginia Cavendish é Rosinha, filha do Major Antônio Morais, vivido por Paulo Goulart.
  • Luís Melo encarna o Encourado, o diabo da história, e Maurício Gonçalves interpreta Manuel, o Jesus da peça.

A química entre Nachtergaele e Selton Mello é o motor do filme. João Grilo é pura iniciativa, sempre um passo à frente dos poderosos, enquanto Chicó reage com espanto e covardia, num jogo de escada cômica que remete ao circo e aos palhaços de picadeiro. Em volta da dupla, veteranos do teatro dão peso a cada figura caricata.

Temas e leitura da obra

Por trás das gargalhadas, o filme é uma sátira afiada. A Igreja aparece movida a interesse, com padre e bispo dispostos a abençoar qualquer coisa por dinheiro; os ricos compram favores; os poderosos humilham os empregados. João Grilo é o pobre que devolve a humilhação com esperteza, herdeiro direto do pícaro da literatura ibérica e de figuras como Pedro Malasartes, o trapaceiro do folclore brasileiro.

Ao mesmo tempo, a obra é profundamente religiosa. O julgamento final discute culpa, misericórdia e salvação, e coloca a Compadecida como advogada dos que não tiveram chance na vida. O diálogo entre o Encourado, Manuel e a santa tem a estrutura de um auto medieval, mas fala a língua do sertão. Essa convivência entre irreverência e fé é o que faz o texto de Suassuna atravessar gerações sem perder a graça.

Direção, fotografia, trilha e montagem

Guel Arraes filma o sertão com cores saturadas e enquadramentos teatrais, assumindo o artifício em vez de buscar realismo. Closes expressivos, quase de quadrinhos, marcam as atuações, e várias passagens são introduzidas por ilustrações no estilo da xilogravura de cordel. A trilha sonora aposta em sonoridades nordestinas, com instrumentos como rabeca, sanfona e pífano, reforçando o clima de festa.

A montagem herdada da minissérie dá ao filme um ritmo de causo contado em roda: cada trapaça tem começo, meio e fim, e a anterior sempre prepara a seguinte. O resultado é uma comédia sem barriga, que passa voando do começo ao fim.

Recepção, legado e a continuação

O filme virou fenômeno popular e, com o tempo, patrimônio afetivo do país. Bordões de João Grilo e Chicó entraram para a fala cotidiana, e as reprises na TV aberta formaram novas gerações de fãs. Nas escolas, a peça de Suassuna segue como leitura recorrente.

Em 2024, chegou aos cinemas O Auto da Compadecida 2, com Matheus Nachtergaele e Selton Mello retomando os papéis e Guel Arraes novamente na direção, ao lado de Flávia Lacerda. A ordem para assistir é simples: comece pelo filme de 2000 e só depois veja a continuação, que pressupõe o conhecimento dos personagens e da história original.

Vale a pena assistir O Auto da Compadecida?

Vale, e em qualquer idade. É daqueles filmes que funcionam numa sessão em família, com avós, pais e filhos rindo das mesmas cenas, e que rendem ainda mais quando revistos. Se a ideia é fazer a maratona com a continuação, faça o teste IPTV e confira o catálogo antes de montar a programação.

Filmes parecidos do guia

Para seguir no cinema nacional com outro clássico da retomada, Cidade de Deus troca o sertão pelo Rio e o riso pela tensão, mas tem a mesma energia de narrador que conduz o público. Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, traz Selton Mello e Fernanda Montenegro em registro dramático, um bom contraponto para quem quer ver os dois atores em outro tom. E quem procura mais risadas encontra outras opções na seleção de comédias com nota da redação.

Onde assistir O Auto da Compadecida

Para ver O Auto da Compadecida na TV, no TV Box ou no celular, faça o teste IPTV grátis do Hostel TV e confira o catálogo sob demanda no seu aparelho antes de assinar. Se for sua primeira vez com IPTV, o guia como instalar IPTV mostra a configuração passo a passo.

Perguntas frequentes sobre O Auto da Compadecida

O Auto da Compadecida é baseado em uma história real?

Não. O filme adapta a peça de teatro escrita por Ariano Suassuna em 1955, uma obra de ficção. O autor, porém, se inspirou em histórias populares que circulavam em folhetos de cordel e na tradição oral do sertão nordestino, além de ambientar a trama em Taperoá, cidade real da Paraíba ligada à sua infância.

Onde foi gravado O Auto da Compadecida?

As filmagens aconteceram principalmente em Cabaceiras, no Cariri paraibano, município conhecido pelo clima seco e pelas paisagens de sertão que já serviram de cenário para várias produções. A cidade ficou associada ao filme e recebe visitantes interessados nas locações. Na ficção, a história se passa em Taperoá.

O filme é diferente da minissérie?

O conteúdo é o mesmo, mas o formato muda. A versão de Guel Arraes foi exibida primeiro como minissérie na TV aberta, em 1999, e depois remontada como longa-metragem para o cinema em 2000. O filme é mais curto e acelerado, com algumas passagens condensadas, enquanto a minissérie dá mais espaço a cada episódio da história.

Precisa ver o primeiro filme antes de O Auto da Compadecida 2?

É altamente recomendado. A continuação lançada em 2024 retoma João Grilo e Chicó anos depois dos acontecimentos do primeiro filme e faz várias referências a personagens, bordões e situações do original. Sem essa base, muitas piadas e reencontros perdem a graça. O ideal é ver o filme de 2000 primeiro e depois emendar a sequência.

O Auto da Compadecida é indicado para crianças?

Sim, é um filme que costuma agradar a todas as idades e é bastante visto em família e em escolas. Há alguma violência estilizada, ligada ao cangaceiro, e temas como morte e julgamento das almas, tratados com humor e sem cenas gráficas. Crianças pequenas podem precisar de contexto sobre a parte religiosa, mas o tom geral é leve.

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