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Filmes e séries nacionais mais bem avaliados

Seleção de 5 títulos de nacionais do guia Hostel TV, ordenados pela nota da redação, com crítica e nota do público em cada ficha.

O que reúne os títulos nacionais do guia

Nacional não é um gênero no sentido clássico, como comédia ou suspense, e sim um recorte de origem: filmes e séries produzidos no Brasil, falados em português e ambientados na nossa realidade. Dentro dele cabem crime, drama histórico, comédia popular e ação policial. O que une esses títulos é a capacidade de transformar questões muito brasileiras, como desigualdade urbana, violência, memória da ditadura e cultura nordestina, em histórias que também funcionam fora do país.

A seleção mistura décadas e formatos de propósito. Há clássicos dos anos 2000 que redefiniram a imagem do cinema brasileiro no exterior, um vencedor recente do Oscar e uma série da era do streaming. Juntos, eles mostram como o audiovisual nacional mudou de linguagem sem perder o sotaque.

Breve história: do Cinema Novo à Retomada

Antes dos títulos do guia, o cinema brasileiro já tinha marcos internacionais. O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1962, até hoje a única do país. Na mesma década, o Cinema Novo de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, com filmes como Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol, propôs uma estética da fome: câmera na mão, sertão, poucos recursos e muita ideia.

Nos anos 1970 e 1980, a estatal Embrafilme financiou boa parte da produção. Com sua extinção em 1990, no governo Collor, a produção quase parou. A recuperação veio com a Lei do Audiovisual, de 1993, e com o período que a crítica chama de Retomada, cujo marco simbólico é Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995), de Carla Camurati. Central do Brasil (1998), de Walter Salles, levou o Urso de Ouro em Berlim e deu a Fernanda Montenegro uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

Os filmes e séries brasileiros do guia

Cidade de Deus (2002)

O longa de Fernando Meirelles e Kátia Lund adapta o romance de Paulo Lins e é o ponto alto da Retomada. Cidade de Deus recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo direção, e mostrou ao mundo uma linguagem de montagem acelerada e elenco vindo das comunidades. O filme gerou a série derivada Cidade dos Homens e influenciou uma geração de cineastas dentro e fora do Brasil.

O Auto da Compadecida (2000)

A comédia de Guel Arraes nasceu como minissérie de TV e foi remontada para o cinema. O Auto da Compadecida leva para a tela o universo de Ariano Suassuna, criador do Movimento Armorial, que buscava uma arte erudita a partir das raízes populares do Nordeste. É o título mais querido do recorte e ganhou continuação em 2024.

Tropa de Elite (2007)

José Padilha vinha do documentário Ônibus 174 quando dirigiu a ficção sobre o BOPE do Rio. Tropa de Elite circulou em cópias piratas antes da estreia, venceu o Urso de Ouro em Berlim e abriu uma discussão nacional sobre violência policial. A continuação, Tropa de Elite 2 (2010), amplia o alvo para a política e as milícias.

Ainda Estou Aqui (2024)

Walter Salles adapta o livro de Marcelo Rubens Paiva sobre o desaparecimento do pai, o ex-deputado Rubens Paiva, durante a ditadura militar. Ainda Estou Aqui deu ao Brasil o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional e foi indicado também a Melhor Filme e Melhor Atriz. Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro, mais de 25 anos depois de a mãe, Fernanda Montenegro, ser indicada ao Oscar por Central do Brasil.

Sintonia (2019–2025)

A série criada por KondZilla, Guilherme Quintella e Felipe Braga representa a nova produção seriada brasileira, impulsionada pelo streaming desde que 3%, em 2016, se tornou a primeira série original brasileira da Netflix. Sintonia leva o funk paulistano para o centro da narrativa e acompanha três amigos da quebrada ao longo de cinco temporadas, com elenco jovem e linguagem de quem conhece o território.

Fios que ligam o cinema brasileiro do guia

Assistidos em sequência, os títulos revelam conexões. Fernanda Montenegro aparece em O Auto da Compadecida e em Ainda Estou Aqui; Selton Mello também está nos dois, como Chicó e como Rubens Paiva. A cidade do Rio de Janeiro é cenário de três obras, em registros opostos: a favela de Cidade de Deus, as operações policiais de Tropa de Elite e a casa de frente para o mar no Leblon em Ainda Estou Aqui.

  • Violência urbana: Cidade de Deus, Tropa de Elite e Sintonia.
  • Memória e história: Ainda Estou Aqui, sobre a ditadura nos anos 1970.
  • Cultura popular e humor: O Auto da Compadecida, com cordel e sertão paraibano.
  • Para começar: O Auto da Compadecida, se a sessão for em família; Cidade de Deus, se for só para adultos.

Outros recortes para explorar

Três dos cinco títulos nacionais também aparecem no recorte de filmes e séries de crime. Quem chegou pelo humor de João Grilo encontra mais risadas na página de comédia. Para ver no seu aparelho, faça o teste de IPTV e confira o catálogo.

Perguntas frequentes

Qual o melhor filme brasileiro do guia Hostel TV?

Pela nota da redação, Cidade de Deus lidera o recorte nacional, seguido por Ainda Estou Aqui e O Auto da Compadecida. São filmes muito diferentes: um retrato acelerado da violência no Rio, um drama contido sobre a ditadura e uma comédia popular nordestina. A ordem da página segue sempre a nota da redação, e cada ficha traz também a nota do público.

O que foi a Retomada do cinema brasileiro?

Retomada é o nome dado à recuperação da produção nacional a partir de meados dos anos 1990, depois da extinção da Embrafilme em 1990. A Lei do Audiovisual, de 1993, criou incentivos fiscais que viabilizaram novos filmes. Carlota Joaquina (1995) é tido como marco inicial, e Central do Brasil e Cidade de Deus estão entre os títulos que projetaram o período no exterior.

O Brasil já ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional?

Sim, uma vez: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, venceu a categoria na cerimônia de 2025, a primeira vitória brasileira nela. Antes, O Pagador de Promessas, O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro? e Central do Brasil haviam sido indicados como filme estrangeiro. Cidade de Deus recebeu quatro indicações em outras categorias, incluindo direção, sem vencer.

Ainda Estou Aqui é baseado em fatos reais?

Sim. O filme adapta o livro de memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre a família após o desaparecimento do pai, o ex-deputado Rubens Paiva, levado por agentes da ditadura militar em 1971. A história é contada pelo ponto de vista da mãe, Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres na juventude e por Fernanda Montenegro na fase madura.

Quais séries brasileiras estão no guia?

No momento, a série nacional do guia é Sintonia, drama sobre funk, tráfico e fé na periferia de São Paulo, com cinco temporadas e história fechada. O recorte nacional reúne ainda quatro longas-metragens: Cidade de Deus, Ainda Estou Aqui, O Auto da Compadecida e Tropa de Elite. Novas fichas entram conforme a curadoria da redação.

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