Tropa de Elite (2007)
Filme · 2007 · 1h55
O capitão Nascimento procura um substituto enquanto a cidade vive em guerra.
Filme · 2007 · 1h55
O capitão Nascimento procura um substituto enquanto a cidade vive em guerra.
Rio de Janeiro, 1997. O capitão Nascimento, do BOPE, quer deixar as operações antes do nascimento do filho, mas antes precisa encontrar quem fique no lugar dele. Dois aspirantes da Polícia Militar, Neto e Matias, entram nessa disputa enquanto o batalhão se prepara para garantir a segurança de uma visita oficial a uma comunidade.
Tropa de Elite virou fenômeno antes mesmo de chegar aos cinemas, e é fácil entender por quê. O filme tem ritmo de ação americana, mas com sotaque, cenários e conflitos totalmente brasileiros. Wagner Moura cria em Nascimento um narrador ao mesmo tempo carismático e perturbador, e a ambiguidade sobre o que o filme defende rende debate até hoje. As cenas de treinamento são das mais citadas do cinema nacional, e a câmera na mão de Padilha deixa tudo urgente. Não é um filme confortável, nem quer ser, mas é impossível ignorar.
Tropa de Elite marcou a estreia de José Padilha na ficção depois do documentário Ônibus 174, de 2002, que reconstituía o sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro. O diretor levou para o novo projeto o mesmo interesse pela engrenagem da violência urbana, agora a partir do ponto de vista da polícia. O roteiro foi escrito por Padilha, Bráulio Mantovani, roteirista de Cidade de Deus, e Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE que trouxe a vivência de dentro da corporação.
O longa ficou conhecido antes mesmo da estreia comercial, em 2007, porque uma cópia vazou e se espalhou em DVDs piratas pelo país. O episódio transformou o lançamento em fenômeno e alimentou uma discussão nacional sobre segurança pública, pirataria e o próprio conteúdo da obra.
O filme é ficção, mas inspirado em relatos reais. A base é o livro Elite da Tropa, escrito pelo sociólogo e ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares em parceria com os policiais André Batista e Rodrigo Pimentel. A obra reúne histórias do cotidiano do BOPE, o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio, e foi o ponto de partida para os personagens e situações da trama.
O ano de 1997 e a operação para garantir a segurança de uma visita do Papa ao Rio dão ao enredo um ancoramento histórico, mas Nascimento, Neto e Matias são personagens criados para a dramaturgia. Por isso, é mais correto ler o longa como um retrato verossímil de um sistema do que como reconstituição de casos específicos.
Boa parte do impacto do filme vem de um elenco afinado, que mistura atores já conhecidos e nomes em ascensão. Os principais personagens:
Wagner Moura, que já tinha prestígio no teatro e na TV, ganhou projeção nacional com Nascimento e voltou ao papel na continuação. A química entre Ramiro e Junqueira sustenta o arco dos aspirantes.
O ponto mais debatido de Tropa de Elite é a narração em primeira pessoa. Ao entregar a voz da história a Nascimento, o roteiro coloca o espectador dentro da cabeça de um homem que justifica a tortura e a execução como parte do trabalho. Parte do público recebeu o capitão como herói; parte da crítica acusou o filme de glorificar a violência policial. Padilha sempre defendeu que a intenção era expor a lógica do sistema, não aplaudi-la.
Além disso, o longa distribui responsabilidades de forma incômoda. A corrupção na PM convencional, a hipocrisia de universitários de classe média que consomem drogas enquanto criticam a polícia e a ausência do Estado nas comunidades aparecem como peças da mesma engrenagem. Nenhum grupo sai ileso, e é por isso que a obra continua gerando discussões quase duas décadas depois.
Padilha filma com câmera na mão, colada aos personagens, e uma fotografia de cores lavadas que reforça a crueza dos ambientes. A montagem de Daniel Rezende, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, alterna o tempo da narração com flashbacks e dá ao longa um ritmo de thriller policial americano sem perder o sotaque carioca. As sequências do curso de formação do BOPE, com o treinamento extremo e o famoso grito de guerra, viraram material de citação instantânea.
O tema musical, a faixa Tropa de Elite da banda Tihuana, ganhou vida própria e passou a ser associado ao filme em estádios e festas. A trilha incidental é discreta e cede espaço ao som ambiente, aos tiros e ao rádio da polícia, escolha que aumenta a sensação de documentário.
Em 2008, Tropa de Elite venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, uma das conquistas mais importantes do cinema brasileiro em festivais internacionais. A premiação veio acompanhada de polêmica: parte da imprensa estrangeira classificou o filme como fascista, enquanto o júri destacou a força do retrato social.
Em 2010, Padilha lançou Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro, que avança no tempo, mostra Nascimento em um cargo na Secretaria de Segurança e desloca o foco para as milícias e a relação entre crime e política. A sequência se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional. A ordem é a de lançamento: veja primeiro o filme de 2007, que apresenta o personagem e o universo do BOPE, e depois a continuação.
Vale, desde que você saiba o que vai encontrar: violência explícita, linguagem pesada e um protagonista que provoca mais desconforto do que empatia. É filme para adultos, ideal para quem gosta de ação com conteúdo e de discutir o que viu depois dos créditos. Se a combinação de crime, cidade e dilemas morais funcionou para você, o guia tem outras indicações:
Outras produções brasileiras estão reunidas na seção de filmes e séries nacionais, e os policiais e thrillers urbanos ficam no gênero crime. Para descobrir o que está disponível, faça o teste e confira o catálogo na sua Smart TV ou no celular.
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O filme é uma ficção inspirada em fatos reais. O ponto de partida é o livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, que reúne relatos sobre o cotidiano do BOPE no Rio de Janeiro. Os personagens principais, como o capitão Nascimento, foram criados para o roteiro, mas o contexto e muitas situações vêm da experiência real dos autores.
Assista primeiro a Tropa de Elite, de 2007, que se passa em 1997 e apresenta o capitão Nascimento e o BOPE. Depois veja Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro, de 2010, que se passa anos mais tarde e mostra o personagem enfrentando as milícias e a corrupção política. A continuação depende do primeiro filme para ter todo o impacto.
Sim. Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro, prêmio principal do Festival de Berlim, em 2008. A vitória foi um marco para o cinema brasileiro, mas também gerou controvérsia, já que parte da crítica internacional acusou o filme de exaltar a violência policial. A discussão sobre a ambiguidade da obra continua até hoje entre espectadores e estudiosos.
Não é recomendado para crianças nem para adolescentes mais novos. O filme tem cenas de tortura, tiroteios, uso de drogas e linguagem muito pesada. É uma obra pensada para o público adulto, que consiga acompanhar a violência mostrada com distanciamento crítico. Antes de assistir com jovens, vale conferir a classificação indicativa e conversar sobre os temas abordados.