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Pôster ilustrativo de Tropa de Elite

Tropa de Elite (2007)

Filme · 2007 · 1h55

O capitão Nascimento procura um substituto enquanto a cidade vive em guerra.

Nota da redação8,7/10
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Sinopse de Tropa de Elite

Rio de Janeiro, 1997. O capitão Nascimento, do BOPE, quer deixar as operações antes do nascimento do filho, mas antes precisa encontrar quem fique no lugar dele. Dois aspirantes da Polícia Militar, Neto e Matias, entram nessa disputa enquanto o batalhão se prepara para garantir a segurança de uma visita oficial a uma comunidade.

Crítica da redação: nota 8,7/10

Tropa de Elite virou fenômeno antes mesmo de chegar aos cinemas, e é fácil entender por quê. O filme tem ritmo de ação americana, mas com sotaque, cenários e conflitos totalmente brasileiros. Wagner Moura cria em Nascimento um narrador ao mesmo tempo carismático e perturbador, e a ambiguidade sobre o que o filme defende rende debate até hoje. As cenas de treinamento são das mais citadas do cinema nacional, e a câmera na mão de Padilha deixa tudo urgente. Não é um filme confortável, nem quer ser, mas é impossível ignorar.

Por que vale a pena assistir

  • Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2008
  • Wagner Moura num dos papéis mais marcantes do cinema nacional
  • Narração em primeira pessoa que provoca debate até hoje

Contexto e produção de Tropa de Elite

Tropa de Elite marcou a estreia de José Padilha na ficção depois do documentário Ônibus 174, de 2002, que reconstituía o sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro. O diretor levou para o novo projeto o mesmo interesse pela engrenagem da violência urbana, agora a partir do ponto de vista da polícia. O roteiro foi escrito por Padilha, Bráulio Mantovani, roteirista de Cidade de Deus, e Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE que trouxe a vivência de dentro da corporação.

O longa ficou conhecido antes mesmo da estreia comercial, em 2007, porque uma cópia vazou e se espalhou em DVDs piratas pelo país. O episódio transformou o lançamento em fenômeno e alimentou uma discussão nacional sobre segurança pública, pirataria e o próprio conteúdo da obra.

Tropa de Elite é baseado em fatos reais?

O filme é ficção, mas inspirado em relatos reais. A base é o livro Elite da Tropa, escrito pelo sociólogo e ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares em parceria com os policiais André Batista e Rodrigo Pimentel. A obra reúne histórias do cotidiano do BOPE, o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio, e foi o ponto de partida para os personagens e situações da trama.

O ano de 1997 e a operação para garantir a segurança de uma visita do Papa ao Rio dão ao enredo um ancoramento histórico, mas Nascimento, Neto e Matias são personagens criados para a dramaturgia. Por isso, é mais correto ler o longa como um retrato verossímil de um sistema do que como reconstituição de casos específicos.

Quem é quem no elenco de Tropa de Elite

Boa parte do impacto do filme vem de um elenco afinado, que mistura atores já conhecidos e nomes em ascensão. Os principais personagens:

  • Wagner Moura como o capitão Roberto Nascimento, comandante de equipe do BOPE e narrador da história
  • André Ramiro como André Matias, aspirante da PM que estuda Direito e tenta conciliar a farda com a faculdade
  • Caio Junqueira como Neto, amigo de Matias, impulsivo e ansioso para entrar em ação
  • Maria Ribeiro como Rosane, mulher de Nascimento, que espera o primeiro filho do casal
  • Fernanda Machado como Maria, colega de faculdade de Matias, ligada a uma ONG que atua no morro
  • Milhem Cortaz como o capitão Fábio, oficial da PM convencional envolvido em esquemas de corrupção

Wagner Moura, que já tinha prestígio no teatro e na TV, ganhou projeção nacional com Nascimento e voltou ao papel na continuação. A química entre Ramiro e Junqueira sustenta o arco dos aspirantes.

Temas e leitura da obra: a ambiguidade de Nascimento

O ponto mais debatido de Tropa de Elite é a narração em primeira pessoa. Ao entregar a voz da história a Nascimento, o roteiro coloca o espectador dentro da cabeça de um homem que justifica a tortura e a execução como parte do trabalho. Parte do público recebeu o capitão como herói; parte da crítica acusou o filme de glorificar a violência policial. Padilha sempre defendeu que a intenção era expor a lógica do sistema, não aplaudi-la.

Além disso, o longa distribui responsabilidades de forma incômoda. A corrupção na PM convencional, a hipocrisia de universitários de classe média que consomem drogas enquanto criticam a polícia e a ausência do Estado nas comunidades aparecem como peças da mesma engrenagem. Nenhum grupo sai ileso, e é por isso que a obra continua gerando discussões quase duas décadas depois.

Direção, fotografia e montagem

Padilha filma com câmera na mão, colada aos personagens, e uma fotografia de cores lavadas que reforça a crueza dos ambientes. A montagem de Daniel Rezende, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, alterna o tempo da narração com flashbacks e dá ao longa um ritmo de thriller policial americano sem perder o sotaque carioca. As sequências do curso de formação do BOPE, com o treinamento extremo e o famoso grito de guerra, viraram material de citação instantânea.

O tema musical, a faixa Tropa de Elite da banda Tihuana, ganhou vida própria e passou a ser associado ao filme em estádios e festas. A trilha incidental é discreta e cede espaço ao som ambiente, aos tiros e ao rádio da polícia, escolha que aumenta a sensação de documentário.

Recepção, prêmios e legado

Em 2008, Tropa de Elite venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, uma das conquistas mais importantes do cinema brasileiro em festivais internacionais. A premiação veio acompanhada de polêmica: parte da imprensa estrangeira classificou o filme como fascista, enquanto o júri destacou a força do retrato social.

Tropa de Elite 2 e a ordem para assistir

Em 2010, Padilha lançou Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro, que avança no tempo, mostra Nascimento em um cargo na Secretaria de Segurança e desloca o foco para as milícias e a relação entre crime e política. A sequência se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional. A ordem é a de lançamento: veja primeiro o filme de 2007, que apresenta o personagem e o universo do BOPE, e depois a continuação.

Vale a pena assistir Tropa de Elite? Para quem é e títulos parecidos

Vale, desde que você saiba o que vai encontrar: violência explícita, linguagem pesada e um protagonista que provoca mais desconforto do que empatia. É filme para adultos, ideal para quem gosta de ação com conteúdo e de discutir o que viu depois dos créditos. Se a combinação de crime, cidade e dilemas morais funcionou para você, o guia tem outras indicações:

  • Cidade de Deus, o outro lado da guerra urbana carioca, contado a partir da comunidade
  • Sintonia, série sobre escolhas entre crime, música e fé na periferia paulistana
  • Breaking Bad, outro estudo sobre um homem que se convence de que faz a coisa certa
  • La Casa de Papel, para quem prefere o duelo entre polícia e criminosos em tom de entretenimento

Outras produções brasileiras estão reunidas na seção de filmes e séries nacionais, e os policiais e thrillers urbanos ficam no gênero crime. Para descobrir o que está disponível, faça o teste e confira o catálogo na sua Smart TV ou no celular.

Onde assistir Tropa de Elite

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Perguntas frequentes sobre Tropa de Elite

Tropa de Elite é baseado em fatos reais?

O filme é uma ficção inspirada em fatos reais. O ponto de partida é o livro Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel, que reúne relatos sobre o cotidiano do BOPE no Rio de Janeiro. Os personagens principais, como o capitão Nascimento, foram criados para o roteiro, mas o contexto e muitas situações vêm da experiência real dos autores.

Qual a ordem para assistir Tropa de Elite?

Assista primeiro a Tropa de Elite, de 2007, que se passa em 1997 e apresenta o capitão Nascimento e o BOPE. Depois veja Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro, de 2010, que se passa anos mais tarde e mostra o personagem enfrentando as milícias e a corrupção política. A continuação depende do primeiro filme para ter todo o impacto.

Tropa de Elite ganhou algum prêmio internacional?

Sim. Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro, prêmio principal do Festival de Berlim, em 2008. A vitória foi um marco para o cinema brasileiro, mas também gerou controvérsia, já que parte da crítica internacional acusou o filme de exaltar a violência policial. A discussão sobre a ambiguidade da obra continua até hoje entre espectadores e estudiosos.

Tropa de Elite é indicado para menores?

Não é recomendado para crianças nem para adolescentes mais novos. O filme tem cenas de tortura, tiroteios, uso de drogas e linguagem muito pesada. É uma obra pensada para o público adulto, que consiga acompanhar a violência mostrada com distanciamento crítico. Antes de assistir com jovens, vale conferir a classificação indicativa e conversar sobre os temas abordados.

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