La Casa de Papel (2017–2021)
Série · 2017–2021 · 5 temporadas
O Professor e oito criminosos planejam o maior assalto da história da Espanha.
Série · 2017–2021 · 5 temporadas
O Professor e oito criminosos planejam o maior assalto da história da Espanha.
Um homem conhecido apenas como Professor recruta oito criminosos, cada um batizado com o nome de uma cidade, para invadir a Casa da Moeda da Espanha. O plano é ficar lá dentro por dias, imprimindo o próprio dinheiro, enquanto ele negocia com a polícia do lado de fora.
La Casa de Papel virou febre mundial com uma fórmula simples e eficiente: um plano engenhoso, personagens com apelidos marcantes e ganchos no fim de cada episódio. As duas primeiras partes, centradas no assalto à Casa da Moeda, são as mais tensas e criativas. Depois que a série ganhou orçamento maior, o espetáculo cresceu e a lógica do plano foi ficando mais elástica, mas o carisma de Berlim, Tóquio e do Professor segura a audiência até o fim. É série de puro entretenimento, para ver sem culpa e com pipoca.
La Casa de Papel foi criada por Álex Pina, roteirista e produtor espanhol que já tinha no currículo a série carcerária Vis a Vis. A produção estreou em 2017 numa emissora aberta da Espanha, com audiência apenas razoável. A virada veio quando a Netflix adquiriu os direitos, reeditou os episódios em capítulos mais curtos e lançou a série mundialmente. Em poucos meses, o assalto à Casa da Moeda virou assunto em dezenas de países, inclusive no Brasil.
Com o sucesso inesperado, a Netflix assumiu a produção das partes seguintes, com orçamento muito maior, filmagens em outros países e cenas de ação de escala internacional. No total, a obra soma cinco partes, encerradas em 2021. Fora do mundo de língua espanhola, a série também é conhecida pelo título em inglês Money Heist.
Cada integrante do bando recebe o nome de uma cidade, regra criada pelo Professor para impedir que os assaltantes conheçam a vida pessoal uns dos outros. Os principais personagens e intérpretes:
Darko Perić interpreta Helsinque, e Enrique Arce faz Arturo Román, o refém que rende algumas das cenas mais irritantes e cômicas da série. A partir da terceira parte, Najwa Nimri entra como a inspetora Alicia Sierra, uma das adições mais marcantes das temporadas produzidas diretamente para o streaming.
A série não se organiza em temporadas no sentido tradicional, e sim em partes, que formam dois grandes arcos:
Quem quer apenas o assalto original pode parar ao fim da segunda parte sem ficar com pontas soltas: a história foi concebida para terminar ali. As partes seguintes apostam em ação, flashbacks e espetáculo, com menos ênfase na engenhosidade do plano e mais no destino emocional dos personagens.
Poucas séries criaram uma iconografia tão reconhecível. O macacão vermelho e a máscara inspirada no pintor Salvador Dalí viraram fantasia de carnaval, figura de protesto em manifestações pelo mundo e referência imediata em memes. A canção Bella Ciao, hino da resistência antifascista italiana, ganha papel narrativo e voltou às paradas por causa da série.
A linguagem é de thriller de ação: narração em off de Tóquio, cortes rápidos entre o interior do prédio e a central do Professor, flashbacks que revelam como o plano foi ensaiado e ganchos ao fim de cada episódio. É uma montagem pensada para a maratona, que empurra o espectador para o próximo capítulo antes que ele tenha tempo de questionar a verossimilhança.
Por trás do entretenimento, a série trabalha uma ideia que explica parte de sua popularidade: os assaltantes se apresentam como resistência contra o sistema financeiro, não como ladrões comuns. O Professor argumenta que imprimir dinheiro na Casa da Moeda é apenas fazer o que bancos centrais fazem em tempos de crise, e esse discurso transforma o bando em anti-heróis com quem o público se identifica.
A série também é um drama de grupo. Romances, rivalidades e lealdades testadas dentro do prédio pesam tanto quanto o cofre. Nem sempre o roteiro é sutil, e algumas decisões dos personagens desafiam a lógica, mas é esse melodrama assumido, quase de novela, que conquistou o público latino.
La Casa de Papel venceu o Emmy Internacional de Melhor Série Dramática em 2018 e se tornou uma das produções de língua não inglesa mais vistas da história da Netflix, abrindo caminho para outras séries europeias no catálogo global. O sucesso gerou um remake sul-coreano, Money Heist: Coreia, lançado em 2022, que transporta o assalto para uma Coreia em processo de reunificação, num futuro próximo.
Em 2023 estreou Berlim, derivado centrado no personagem de Pedro Alonso e ambientado antes dos acontecimentos da série original, com um novo bando e um golpe em Paris. A redação recomenda assistir ao derivado depois de concluir as cinco partes, para aproveitar as referências ao passado do personagem.
La Casa de Papel é ideal para quem procura suspense de ritmo acelerado, com personagens carismáticos e sem exigir atenção a cada detalhe. Funciona bem para maratonar em dupla ou em grupo, e o áudio dublado ou original em espanhol fica a critério do espectador. Há violência, palavrões e cenas de sexo, o que torna a série mais adequada a adultos e adolescentes mais velhos.
Para continuar no universo do crime, o guia sugere a escalada de Breaking Bad, a ação policial brasileira de Tropa de Elite e a periferia paulistana de Sintonia. Quem gosta de golpes engenhosos também deve conferir Parasita. Para ver o catálogo antes de assinar, faça o teste IPTV.
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La Casa de Papel tem cinco partes, lançadas entre 2017 e 2021. Como a Netflix reeditou o material original em capítulos mais curtos, a contagem de episódios varia conforme a versão. As partes 1 e 2 contam o assalto à Casa da Moeda da Espanha, as partes 3 e 4 iniciam o golpe ao Banco da Espanha e a parte 5, dividida em dois volumes, encerra a história.
Não. A história é ficcional, criada por Álex Pina e sua equipe de roteiristas. A Casa da Moeda e o Banco da Espanha existem de verdade, em Madri, mas os assaltos, o bando e o Professor são invenções da série. O discurso contra o sistema financeiro dialoga com a crise econômica espanhola, mas sem retratar um caso real.
Os nomes de cidades são codinomes impostos pelo Professor. A regra impede que os integrantes do bando saibam nomes, endereços ou histórias pessoais uns dos outros, reduzindo o risco de alguém entregar o grupo à polícia em caso de captura. Tóquio, Berlim, Nairóbi, Rio e Denver acabaram se tornando os nomes mais lembrados da série.
Não é obrigatório, mas é recomendado. Berlim se passa antes da série original e apresenta um novo bando, então pode ser entendida sozinha. Porém, boa parte da graça está em conhecer o destino e a personalidade do personagem nas cinco partes de La Casa de Papel, e várias referências fazem mais sentido para quem já assistiu.
A música mais associada à série é Bella Ciao, canção popular italiana que virou hino da resistência antifascista na Segunda Guerra Mundial. Na trama, ela tem significado especial para o Professor e aparece em momentos decisivos. A abertura usa outra faixa, My Life Is Going On, interpretada por Cecilia Krull.