Oppenheimer (2023)
Filme · 2023 · 3h00
O físico que liderou o Projeto Manhattan e o preço político da bomba.
Filme · 2023 · 3h00
O físico que liderou o Projeto Manhattan e o preço político da bomba.
J. Robert Oppenheimer é escolhido para comandar o laboratório de Los Alamos durante a Segunda Guerra Mundial, numa corrida para construir a bomba atômica. Anos depois, o mesmo governo que o celebrou passa a questionar sua lealdade numa audiência fechada que pode destruir sua carreira.
Nolan transforma uma cinebiografia de três horas, cheia de reuniões e audiências, num thriller que não deixa respirar. A montagem cruza duas linhas do tempo, uma em cores e outra em preto e branco, e o ritmo cresce até o teste Trinity, filmado com um silêncio que pesa mais que qualquer explosão. Cillian Murphy faz de Oppenheimer um homem brilhante e frágil ao mesmo tempo, e Robert Downey Jr. tem talvez o melhor papel da carreira. O último ato pode cansar quem esperava mais ciência e menos política, mas é justamente ali que o filme diz o que veio dizer.
Sim. O filme é uma cinebiografia de J. Robert Oppenheimer, físico teórico americano que dirigiu o laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan, o programa secreto que desenvolveu as primeiras bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial. Christopher Nolan escreveu o roteiro a partir do livro Oppenheimer: O Triunfo e a Tragédia do Prometeu Americano, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, biografia que venceu o Prêmio Pulitzer em 2006.
Como toda dramatização, o longa condensa conversas, cria diálogos e reorganiza cenas para ganhar ritmo, mas os eventos centrais são históricos: o recrutamento de cientistas em Berkeley e em outras universidades, a construção da cidade-laboratório no Novo México, o teste Trinity em julho de 1945 e a audiência de segurança de 1954, que retirou de Oppenheimer a autorização de acesso a informações sigilosas. Em 2022, o governo americano anulou oficialmente aquela decisão.
Nolan tratou o projeto como um filme de autor de grande orçamento e escreveu o roteiro em primeira pessoa, uma escolha rara, para que o espectador acompanhasse os acontecimentos pelo ponto de vista do cientista. As filmagens aconteceram em boa parte no Novo México, inclusive em locações próximas à verdadeira Los Alamos.
A fotografia de Hoyte van Hoytema foi captada em película IMAX 65 mm, e a equipe precisou desenvolver com a Kodak um filme preto e branco nesse formato, algo que não existia. As explosões e as visões subatômicas que atravessam a cabeça de Oppenheimer foram criadas com efeitos práticos, combinando fogo, partículas, líquidos e miniaturas, sem recorrer a imagens geradas por computador.
Murphy, colaborador de Nolan desde Batman Begins, recebe aqui seu primeiro papel principal com o diretor e faz um trabalho de corpo: emagrecido, de olhar distante, ele mostra um homem capaz de brilhar numa sala de professores e de se desmanchar sob pressão. Downey Jr., em registro contido, constrói Strauss como o verdadeiro antagonista do filme, enquanto Emily Blunt ganha uma das cenas mais fortes do terceiro ato.
A chave de leitura está no subtítulo do livro: Oppenheimer é tratado como um Prometeu moderno, o titã que roubou o fogo dos deuses e foi castigado por isso. O filme se interessa menos pela ciência e mais pelo preço moral da descoberta: a culpa, a vaidade, o fascínio pelo poder e a sensação de ter aberto uma porta impossível de fechar. A célebre citação do Bhagavad Gita associada ao cientista aparece de forma inesperada no roteiro.
Ao mesmo tempo, é um drama político sobre a Guerra Fria e o macartismo. A paranoia anticomunista dos anos 1950 transforma antigas amizades, filiações e romances de juventude em provas contra o homem que o país havia celebrado como herói. Nolan mostra como a mesma máquina estatal que precisou do gênio para vencer a guerra decidiu descartá-lo quando ele passou a defender o controle internacional das armas nucleares.
A estrutura alterna duas linhas narrativas. As cenas coloridas, batizadas pelo roteiro de Fissão, mostram a perspectiva subjetiva de Oppenheimer. As cenas em preto e branco, chamadas de Fusão, acompanham Lewis Strauss e uma audiência no Senado anos depois. A montagem de Jennifer Lame costura as duas com tanta precisão que três horas de conversas em salas fechadas soam como um suspense de contagem regressiva.
A trilha de Ludwig Göransson, que já havia trabalhado com Nolan em Tenet, aposta em violinos nervosos que aceleram junto com o pensamento do protagonista. No teste Trinity, a escolha mais ousada do filme é sonora: o momento da explosão chega em silêncio, e o estrondo só vem depois, como na física real.
Oppenheimer estreou em julho de 2023, no mesmo fim de semana de Barbie, e a coincidência virou fenômeno cultural apelidado de Barbenheimer, com sessões duplas pelo mundo. O drama histórico de três horas tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, algo raro para o gênero. Na temporada de prêmios, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e, no Oscar de 2024, levou sete estatuetas, incluindo Melhor Filme, Direção para Nolan, Ator para Cillian Murphy e Ator Coadjuvante para Robert Downey Jr.
Vale para quem gosta de dramas históricos de peso e não se intimida com um filme que é, em essência, feito de diálogos. Não é um filme de guerra no sentido tradicional: não há batalhas, e o bombardeio do Japão é discutido, nunca mostrado. Planeje a sessão com calma, e se for assistir pela internet, siga o passo a passo de instalação do IPTV na Smart TV para não perder qualidade nas cenas em IMAX.
O par mais óbvio é Interestelar, outra obra de Nolan em que a física move o drama humano. A minissérie Chernobyl, sobre o desastre nuclear de 1986, é a companhia ideal para uma maratona temática: também trata de ciência, Estado e mentiras oficiais. E quem se interessou pelo retrato de um homem engolido pelo poder deve ver O Poderoso Chefão, clássico de outro tipo de transformação moral.
Para ver Oppenheimer na TV, no TV Box ou no celular, faça o teste IPTV grátis do Hostel TV e confira o catálogo sob demanda no seu aparelho antes de assinar. Se for sua primeira vez com IPTV, o guia como instalar IPTV mostra a configuração passo a passo.
Grande parte das filmagens aconteceu no Novo México, nos Estados Unidos, onde a produção construiu uma réplica da cidade de Los Alamos dos anos 1940 e usou locações na própria Los Alamos. Outras cenas foram rodadas em Princeton, Nova Jersey, onde ficava o Instituto de Estudos Avançados dirigido por Oppenheimer depois da guerra. O teste Trinity foi recriado no deserto.
As duas texturas marcam pontos de vista diferentes. As cenas coloridas mostram a perspectiva subjetiva de Oppenheimer, enquanto o preto e branco representa uma visão mais objetiva, ligada a Lewis Strauss e à audiência no Senado. A alternância ajuda o espectador a se localizar entre as linhas do tempo e reforça o contraste entre memória pessoal e registro oficial.
Não. O filme acompanha tudo pelo ponto de vista de Oppenheimer, que soube dos bombardeios pelo rádio e por relatórios, sem testemunhá-los. Por isso, os ataques ao Japão são discutidos em reuniões e anunciados em cena, mas não aparecem na tela. Essa ausência foi criticada por parte do público e defendida por Nolan como coerente com a proposta subjetiva do roteiro.
Oppenheimer venceu sete Oscars em 2024: Melhor Filme, Direção para Christopher Nolan, Ator para Cillian Murphy, Ator Coadjuvante para Robert Downey Jr., Fotografia para Hoyte van Hoytema, Montagem para Jennifer Lame e Trilha Sonora Original para Ludwig Göransson. Foi o primeiro Oscar de Nolan como diretor, depois de várias indicações ao longo da carreira.
Não. Oppenheimer não tem nenhuma cena extra durante ou depois dos créditos, e a história se encerra completamente antes da lista de nomes. Com cerca de três horas de duração, não há motivo para esperar o fim dos créditos, a não ser pela trilha de Ludwig Göransson.