Matrix (1999)
Filme · 1999 · 2h16 · Título original: The Matrix
Um hacker descobre que o mundo em que vive é uma simulação.
Filme · 1999 · 2h16 · Título original: The Matrix
Um hacker descobre que o mundo em que vive é uma simulação.
O programador Thomas Anderson leva uma vida dupla como o hacker Neo. Quando o misterioso Morpheus oferece a ele uma escolha entre duas pílulas, Neo descobre que a realidade é uma simulação criada por máquinas e que talvez seja a peça que falta para libertar a humanidade.
Matrix mudou a forma como Hollywood filma ação. O bullet time, as lutas coreografadas com influência do cinema de Hong Kong e o visual verde e preto viraram padrão por uma década inteira. Mas o filme se sustenta também como ideia: a pergunta sobre o que é real chega embalada numa jornada clássica do herói, fácil de seguir e cheia de camadas para quem quiser ir além. Keanu Reeves tem o tom exato de alguém que está acordando aos poucos, e Hugo Weaving faz do Agente Smith um dos vilões mais citados do gênero. Ainda impressiona, mesmo depois de tantas imitações.
Antes de Matrix, Lana e Lilly Wachowski tinham dirigido apenas o thriller Ligadas pelo Desejo, de 1996. O roteiro da ficção científica circulava havia anos pelo estúdio e era considerado difícil de vender: misturava filosofia, artes marciais, anime e cultura hacker num pacote que ninguém sabia muito bem como filmar. Para convencer os executivos, as diretoras encomendaram storyboards detalhados, quase uma história em quadrinhos do filme inteiro
A produção foi rodada principalmente em Sydney, na Austrália, que serve como cidade genérica dentro da simulação. Antes das filmagens, o elenco principal passou meses treinando com a equipe do coreógrafo Yuen Woo-ping, nome central do cinema de ação de Hong Kong. Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Laurence Fishburne e Hugo Weaving aprenderam a lutar presos a cabos, técnica tradicional do wuxia que o filme apresentou a uma geração inteira de espectadores ocidentais.
A escalação de Keanu Reeves foi alvo de desconfiança na época, mas a limitação expressiva que muitos apontavam virou trunfo: Neo passa boa parte do filme atônito, tentando entender o que é real, e o ator constrói essa perplexidade com economia. Hugo Weaving, por outro lado, faz o oposto, com uma dicção pausada e cheia de desprezo que tornou o Agente Smith imediatamente reconhecível.
O ponto de partida é uma pergunta antiga: como saber se o mundo que percebemos é real? O filme bebe na Alegoria da Caverna de Platão, no gênio maligno de Descartes e no experimento do cérebro numa cuba, e cita diretamente Simulacros e Simulação, de Jean Baudrillard, que aparece num livro oco na estante de Neo. A frase de Morpheus que dá as boas-vindas ao deserto do real também vem do filósofo francês.
Há ainda uma camada religiosa evidente. Neo é tratado como messias, Trinity carrega um nome cristão, Zion é a última cidade humana e a nave de Morpheus leva o nome de um rei babilônico. Somam-se a isso referências a Alice no País das Maravilhas, com o coelho branco e a toca que leva a outro mundo. Com o tempo, as diretoras e parte da crítica passaram a ler o longa também como alegoria de identidade e transformação, leitura que ganhou força depois que as duas se assumiram mulheres trans.
Matrix deve muito ao cyberpunk literário de William Gibson, autor de Neuromancer, que popularizou a ideia de uma realidade virtual chamada justamente de matriz. No cinema, a influência mais assumida é O Fantasma do Futuro, anime japonês de 1995 dirigido por Mamoru Oshii, do qual vem a imagem de personagens conectados por um plugue na nuca e a chuva de caracteres verdes na tela.
O bullet time, efeito que congela a ação enquanto a câmera parece girar em volta dos atores, foi obtido com dezenas de câmeras fotográficas posicionadas em arco e disparadas em sequência, com as imagens depois interpoladas por computador. A cena de Neo desviando das balas no terraço virou o símbolo do filme e foi copiada e parodiada à exaustão em comerciais, games e outros longas.
A fotografia de Bill Pope separa os dois mundos com cor: dentro da Matrix, tudo tem um tom esverdeado, como o brilho de um monitor antigo; no mundo real, predominam azuis frios e acinzentados. A montagem de Zach Staenberg mantém as lutas legíveis, sem cortes picotados, e a trilha mistura a orquestra de Don Davis com rock industrial e música eletrônica, num som que definiu a estética do fim dos anos 1990.
Lançado em 1999 Matrix surpreendeu como fenômeno de público e de crítica. No Oscar de 2000, venceu as quatro categorias técnicas em que concorria: montagem, som, edição de efeitos sonoros e efeitos visuais. O filme também ajudou a popularizar o DVD como formato doméstico e entrou para o vocabulário comum com expressões como tomar a pílula vermelha.
A saga principal segue a ordem de lançamento, que coincide com a cronologia da história. O curta animado de Animatrix pode ser visto entre o primeiro e o segundo filme, já que alguns episódios explicam a origem da guerra contra as máquinas e preparam a continuação.
Reloaded e Revolutions foram filmados juntos e lançados com poucos meses de diferença, e funcionam quase como um filme único dividido em duas partes. Resurrections retoma Neo e Trinity quase duas décadas depois e brinca com a própria fama da franquia, mas divide opiniões.
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Interestelar, de Christopher Nolan, é a escolha natural para quem quer outra ficção científica ambiciosa, agora com foco em espaço e tempo. Duna: Parte Dois também trabalha a figura do messias relutante, com uma ambiguidade que conversa diretamente com Neo. Na TV, a série Dark agrada a quem gosta de quebrar a cabeça com realidades que não são o que parecem. Mais títulos estão na lista de ficção científica do guia.
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Não. O primeiro Matrix termina antes dos créditos, com uma cena final ao som de rock e um telefonema de Neo, e não há nenhuma sequência extra depois. Entre os filmes da franquia, apenas Matrix Resurrections, de 2021, traz uma cena curta após os créditos, de tom cômico e sem impacto na história.
A maior parte das filmagens aconteceu em Sydney, na Austrália, tanto em estúdios quanto em ruas e prédios da cidade. Como a história se passa numa metrópole genérica criada pela simulação, a cidade nunca é identificada. Os nomes de ruas usados no filme fazem referência a Chicago, cidade natal das diretoras.
Não é obrigatório, mas ajuda. Animatrix reúne nove curtas animados, dirigidos por diferentes realizadores, que expandem o universo da franquia. Dois episódios explicam a guerra entre humanos e máquinas que antecede o primeiro filme, e outro conecta diretamente com o começo de Matrix Reloaded. Quem quer a experiência completa deve assistir entre o primeiro e o segundo longa.
Matrix ganhou quatro Oscars em 2000, todos em categorias técnicas: montagem, som, edição de efeitos sonoros e efeitos visuais. O filme concorria justamente nessas quatro categorias e venceu todas, superando inclusive Star Wars: Episódio I, a Ameaça Fantasma, na disputa de efeitos visuais.
Não. Matrix é um roteiro original de Lana e Lilly Wachowski. O filme, porém, reúne muitas influências assumidas, como o livro Simulacros e Simulação, de Jean Baudrillard, o romance cyberpunk Neuromancer, de William Gibson, o anime O Fantasma do Futuro e a obra de Lewis Carroll. A mistura dessas referências é parte do que torna o filme tão rico.